Cerca de 300 pessoas participaram da manifestação que aconteceu no último sábado, em Socorro, contra a instalação das miniusinas hidrelétricas previstas para serem construídas em cachoeiras da Bacia do Rio do Peixe. O protesto foi organizado pelo movimento “Cachoeiras Vivas”, campanha da sociedade civil que, com apoio de autoridades, luta contra o empreendimento desde agosto do ano passado, quando o projeto foi anunciado. Segundo os organizadores do movimento, esta é primeira manifestação ambiental ocorrida na história de Socorro.
Entre os manifestantes, estavam presentes ONGs da região, associações, clubes, empresários do turismo, moradores e autoridades de Socorro, Bueno Brandão e Munhoz. Também participaram da passeata, o deputado federal Ricardo Tripoli, que é autor de projeto de lei contra a instalação de usinas em cidades turísticas, e o deputado estadual de Minas Gerais Dalmo Ribeiro.
Acompanhados de um trio elétrico, os participantes saíram da Rua Dr. Campos Salles, por volta das 8h30, e percorreram o centro da cidade até chegarem na Avenida Coronel Germano. O coordenador do Núcleo Ambientalista de Socorro, João Gabriel Giacometti, e o secretário executivo da Associação Ambientalista Copaíba, Tiago Sartori, puxaram a passeata enfatizando a importância das cachoeiras para a região. Também foram entregues folhetos para orientação da população.
De acordo com João Gabriel, a manifestação foi importante para mostrar aos órgãos licenciadores que a população e os empresários do turismo não querem esses empreendimentos em nossa região. “Não queremos somente energia limpa e sim energia sustentável”, disse. Para Tiago Sartori, a passeata mostrou que população, empresários e autoridades estão unidos pela conservação das cachoeiras. “Todos querem as cachoeiras e suas belezas preservadas, sem muros, reservatórios ou trechos de vazão reduzida”, afirmou.
O movimento em defesa das cachoeiras começou depois que empresas sediadas em Goiás anunciaram o projeto de instalação de miniusinas hidrelétricas em cachoeiras da bacia do Rio do Peixe, em agosto do ano passado, para gerar no total 4 MWh de energia, ou seja no máximo 1 MWh cada uma. Os participantes do “Cachoeiras Vivas” e especialistas acreditam que o empreendimento é uma ameaça não só ao meio ambiente das cidades sedes, mas também a economia dos municípios com a eliminação de vagas de emprego no setor turístico, que está ligado diretamente ao funcionamento das cachoeiras com a oferta de esportes de aventura. Em Socorro, por exemplo, são 2.200 empregos ligados ao turismo, que é uma das áreas que mais crescem no município. Além disso, 500 mil turistas visitam a cidade por ano, o que gera uma receita anual de R$ 40 milhões para o município de Socorro.
Para quem quer conhecer mais o trabalho do Movimento Cachoeiras Vivas, formado pelas Ongs Copaíba, Projeto Piracema e GEA, pelo Núcleo Ambientalista de Socorro e por moradores e visitantes das cidades afetadas, deve acessar o site
http://cachoeirasvivas.blogspot.com
Cachoeira poderá virar rio de pedras
Depois que o movimento “Cachoeiras Vivas” apresentou um abaixo-assinado com 12.342 assinaturas de pessoas contrárias ao empreendimento, uma comissão de conselheiros do Comitê da Bacia Hidrográfica dos afluentes mineiros dos rios Mogi Guaçu e Pardo (CBH Mogi-Pardo) apresentou um relatório dos impactos ambientais que seriam provocados com a instalação das Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH’s) na bacia do Rio do Peixe. A conclusão foi que os trechos represados com o empreendimento deixarão as cachoeiras da região com aparência de um rio de pedras, já que haverá diminuição do volume de água no local.
Em relação ao Rio Cachoeirinha, no município de Bueno Brandão, onde há previsão para instalação de duas CGHs sequenciais (CGH Cachoeirinha e CGH Limoeiro), a análise constatou que "do ponto de vista de beleza cênica, o cenário futuro é de um trecho de 1,145 km (1145 metros) de exposição rochosa do leito do rio margeado por tubulação em seu lado esquerdo”.
Além disso, serão construídas duas barragens de concreto na cachoeira do Limoeiro. Além do impacto visual causado pelas barragens, os represamentos totalizarão mais de 2 mil metros quadrados, quando somado duas CGHs, o que cobrirá as cachoeiras e corredeiras nestes locais pela lâmina de água do represamento.
Uma das constatações mais graves foi que no período de maio a dezembro o trecho de vazão reduzida (1.145 metros de rio) terá somente 300 litros de água por segundo. Segundo especialistas, na mesma época, o rio fica em média com 1.460 litros por segundo de água correndo nas cachoeiras. Portanto, neste trecho de vazão reduzida, o encachoeiramento atual será substituído pelo afloramento rochoso, muito fraturado que compõem o leito do rio, ou seja, o rio ficará com muitas pedras e fendas aparecendo.
* Na foto, manifestantes seguem com faixas e bandeiras do movimento "Cachoeiras Vivas".